"Quem não conhece o valor das palavras jamais compreenderá os homens."
Este blog não estará restrito a um assunto específico. A ideia é produzir uma espécie de revista digital. Como não é um blog profissional, alguns temas demorarão a ter novas postagens, mas sempre aparecerão. Claro que as provocações recebidas através dos comentários serão muito úteis na formação da pauta. Opine, comente, questione, indique.
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27 de ago. de 2016
21 de set. de 2015
Kant- Inteligência.
6 de set. de 2015
Mentir é feio? E quando a omissão provoca um falso entendimento?
Winston Churchil (leia o segundo parágrafo - me defendo de mal intencionados) disse, certa vez:
"O pior sistema político que existe a democracia (...)". Essa frase representa em grande medida (em que pese falhas de tradução) o que disse o ex-primeiro ministro inglês. Não há mentira ou invenção neste parágrafo...
Mas a mensagem proposta por Churchil é diametralmente oposta ao exposto no primeiro parágrafo, pois a frase foi apresentada de forma incompleta. O adequado, para a compreensão da mensagem é:
"O pior sistema político que existe é a democracia, exceto todos os outros."
Na imprensa, o que mais se vê é isso. Dissimulação, omissão e, por vezes, mentira.
https://www.youtube.com/watch?v=nd9R7ZxhjJ8
"É POSSÍVEL CONTAR UM MONTE DE MENTIRAS, CONTANDO SÓ A VERDADE"
Em que pese a excelente campanha da Folha de São Paulo, "Hitler". A própria Folha e outros grandes veículos de mídia lançaram uma campanha com omissões propositais (ou não?) para atacar um livro didático, por volta de 2007.
Trata-se do livro "NOVA HISTÓRIA CRÍTICA", de Mário Schmidt.
Esse é um tema que sempre me incomodou muito e, pelo que vi, tem gente aí (blogs de extrema direita), requentando o assunto.
O que encontrei, da grande mídia, sobre o assunto é:
http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/livro-didatico-reprovado-pelo-mec-continua-sendo-usado-em-salas-de-aula-do-brasil-4153370
Matéria do O Globo, publicada em 19/09/2007 e curiosamente atualizada em 03/03/2012.
http://vida-estilo.estadao.com.br/noticias/geral,20-milhoes-utilizaram-livro-polemico,54753
Matéria do Estado de São Paulo em que aparece uma curiosa data de publicação: 31/12/1969
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1909200728.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1909200729.htm
Matérias da Folha de São Paulo, ambas de 19/09/2007
Eu acho graça na maior parte da críticas. Acho graça da capacidade intelectual de quem escreveu, ao mesmo tempo que me entristeço pela capacidade intelectual daqueles que são o alvo das "críticas" ao livro. Essas matérias colam, em suma, pontos em que o capitalismo é criticado, no livro. Mas nenhuma delas apresenta contradições entre os trechos destacados e a realidade. E pior, dizem que o livro faz apologia ao socialismo, mas não apresentam os trechos em que o autor tece críticas ao socialismo.
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A tabela abaixo, por exemplo, não é vista nos sites e blogs que criticam o livro:
![]() |
| Tabela comparativa do livro Nova História Crítica de Mário Schmidt - 2001 |
Sobre o assunto indico a leitura do texto escrito pelo Luís Nassif:
http://jornalggn.com.br/noticia/ali-kamel-e-a-guerra-dos-livros-didaticos
Se alguém quiser discutir algum ponto, deixe um comentário.
3 de ago. de 2015
Entrevista - Ensino Religioso - Canal Super Física.
Vai aí uma entrevista produzida pelo Professor Lucas, do canal Super Física:
https://www.youtube.com/watch?v=jtEb35rcg5Q
8 de mai. de 2015
As crianças e a ética.
Abaixo, uma entrevista com o Professor Clóvis de Barros Filho, a respeito de ética e educação infantil:
Uma observação:
Aos 5'50" há uma pergunta sobre bons exemplos que os pais possam fazer para ensinar ética aos filhos e o professor Clóvis diz que os exemplos negativos são mais abundantes...
Eu discordo!!! Os exemplos negativos podem ser mais marcantes, pois são a exceção, não a regra. Sempre que o pai enfrenta uma fila, paga uma conta, respeita outros ou as leis, entre outros, está dando um bom exemplo ético. É claro que um único exemplo negativo, marcará muito mais do que dez exemplos positivos, mas em termo de número (em função da "abundância") ele está (ou esteve) errado. No mais, a pura análise sobre a realidade... (a não ser que eu também esteja enganado com o que vejo, hehehe).
Há várias aulas do professor Clóvis no youtube. Eu recomendo!!!!
https://www.youtube.com/channel/UCbS4BFDUBB_A5dpLt3vfLJA
Uma observação:
Aos 5'50" há uma pergunta sobre bons exemplos que os pais possam fazer para ensinar ética aos filhos e o professor Clóvis diz que os exemplos negativos são mais abundantes...
Eu discordo!!! Os exemplos negativos podem ser mais marcantes, pois são a exceção, não a regra. Sempre que o pai enfrenta uma fila, paga uma conta, respeita outros ou as leis, entre outros, está dando um bom exemplo ético. É claro que um único exemplo negativo, marcará muito mais do que dez exemplos positivos, mas em termo de número (em função da "abundância") ele está (ou esteve) errado. No mais, a pura análise sobre a realidade... (a não ser que eu também esteja enganado com o que vejo, hehehe).
Há várias aulas do professor Clóvis no youtube. Eu recomendo!!!!
https://www.youtube.com/channel/UCbS4BFDUBB_A5dpLt3vfLJA
16 de mar. de 2014
Por quê a escola pública foi feita para dar errado?
A Natália fez uma pergunta que, por falta de tempo na sala, não pude responder. Então gravei um vídeo com algumas reflexões. Fiz a gravação ainda em dezembro, mas não estava com coragem para editar.
Agora ele está pronto. Melhor que o primeiro, mas ainda há muito a fazer. Comentem!
Agora ele está pronto. Melhor que o primeiro, mas ainda há muito a fazer. Comentem!
13 de nov. de 2013
Frase do dia!
"Filosofia de bolso" pode ser muito mal vista, mas resume pensamentos importantes!
Ouvi uma frase, hoje, com a qual concordo. Essa frase inaugura um novo marcador "Frase do dia" (que como a música do dia, não será de fato, diária),
Ouvi uma frase, hoje, com a qual concordo. Essa frase inaugura um novo marcador "Frase do dia" (que como a música do dia, não será de fato, diária),
Mário Sérgio CORTELLA
"QUEM NÃO TEM DÚVIDA, SÓ CONSEGUE REPETIR!"
Jogos para aprender fração.
Esta não é uma postagem usual, mas serve para quem quer incentivar os pequenos a estudarem e compreenderem (pelo menos intuitivamente) como funcionam as frações e sua relação com percentagens.
30 de out. de 2013
Enem: Inep x correção de cursinho!
Saiu o gabarito oficial do enem 2013!
Veja aqui.
Como postei no domingo, vários cursinhos fizeram a correção das questões e, houve discordância em várias delas. Vejamos agora uma comparação dessas avaliações com o gabarito oficial:
Repito as questões em desacordo, repetindo meus comentários:
27 de out. de 2013
Ciências Humanas e os vestibulares
Ontem foi aplicada a prova do Enem 2013 (1º dia) e a parte que me interessa são as questões de ciências humanas e suas tecnologias. Em geral, a maior parte de concursos e vestibulares contam com questões capciosas, em que dependendo da orientação de quem pergunta, a resposta será uma, mas isso pode variar, de acordo com as idiossincrasias de quem responde (ou corrige a questão).
Quer uma prova?
Clique em "Mais informações" logo abaixo e veja uma tabela comparativa com o gabarito não oficial divulgado por (
3 de set. de 2013
Meritocracia?
O vídeo acima deve ser visto com alguma reserva (ou a própria palavra "mérito" deveria cair em desuso), mas o vlogueiro está correto ao tratar da questão da desumanização!
19 de jun. de 2013
Professores e Educação...
| Só sei que nada sei... Nem sei como passei |
Uma das primeiras postagens que fiz foi uma resposta a um artigo publicado na Veja, se você não leu, acho que é interessante ler. Cique (Aqui).
Não adianta tapar o sol com a peneira!!!!
A educação está em estado pré falimentar!!!!
O que levou a educação a esse estágio????
Com toda certeza são vários os fatores...
O grande problema está no SISTEMA educacional. A educação que temos é homogeneizada e pasteurizada, como se as capacidades e interesses de todos os alunos fossem exatamente as mesmas.
ISSO ESTÁ ERRADO!!!!
Essa postagem é uma resposta à matéria publicada na Gazeta do Povo.
Leia a matéria (Aqui).
| Copiado do site da Gazeta (veja link) |
Antigamente a educação tinha um modelo e quem não se adaptasse a ele estava fora e, a educação continuava chegando ao ponto final, ou seja, os formandos tinham, de fato, adquirido a maior parte do que as escolas esperavam que os alunos adquirissem. O mal estava na situação de exclusão de um número muito grande de pessoas que se "perdiam" (ou que eram "perdidas") pelo meio do caminho. Isso precisava mudar, e mudou!

Hoje a educação (especialmente a pública na formação básica e a particular na formação "superior") está voltada à manutenção do maior número de indivíduos vivendo seus processos, do início ao fim, pouco interessando o que foi apreendido. Isso com toda certeza é péssimo para aqueles que seriam capazes de adquirir uma educação melhor no "sistema" antigo, mas de certa forma é bom para aqueles que abandonariam a educação formal. Mas mesmo para aqueles que não terminariam o ciclo de educação formal é pouco! A escola não oferece experiências suficientemente válidas para o desenvolvimento de todas as habilidade que seriam capazes valorizar as capacidades individual. Não há práticas esportivas realmente válidas na maior parte das escolas. Não há desenvolvimento musical. Não há desenvolvimento científico. Não há desenvolvimento em várias outras áreas que poderiam resultar em possibilidades de uma vida melhor...
O que falta para a educação, então??
Faltam melhores profissionais (o que poderia acontecer com melhores salários).
Falta estrutura (para aulas de educação física, artes, ciências, etc.).
Claro que falta o empenho de alunos e participação de pais (mas isso deveria ser conquistado).
Mas, creio, que a falha FUNDAMENTAL, está ligada ao "sistema" em que a educação está imersa. O professor é obrigado a fazer uma quantidade x de avaliações (dependendo da disciplina, passa mais tempo entre avaliações e "recuperações" do que trabalhando com conteúdo novo). O aluno é obrigado a ter o mesmo desempenho em todas as disciplinas, mesmo não tendo afinidade com algumas delas (um remédio para isso seria a oferta de uma gama grande de disciplinas e o aluno teria que cursar algumas, mas não todas).
Mas talvez o pior, já que cria uma cultura de que não é preciso estudar, esteja relacionado à preocupação de reduzir os números de reprovação e evasão a qualquer custo. Isso desestimula professores a cobrarem efetivamente o bom desempenho dos alunos e faz com que os alunos acomodem-se com o fato de que podem passar por conselho de classe, independentemente do número de disciplinas em que não atinjam a média. A única coisa que este modelo conseguiu melhorar foi o tempo médio que os brasileiros passam na escola (mas isso tem contribuição decisiva do aumento do número de escolas e de programas como o bolas escola e seu substituto, o bolsa família).

10 de abr. de 2013
7 de fev. de 2013
Barack Obama e o preconceito.
Penso que o preconceito tem diferentes matizes e que depende muito da intenção de agente, e que seus efeitos dependem igualmente da sensibilidade de quem sofre a ação.
Nunca tive dúvida de que quanto mais forte for o indivíduo, menor o efeito de ações externas sobre ele. (Tem um ditado que gosto muito: "A vida é uma pedra de amolar, que vos desgasta ou vos afia, conforme o metal de que sois feito").
Li uma matéria muito bacana na "Seleções do Reader's Digest" de dezembro (2012), "Educando Obama", que aborda parte da infância de Barack Obama e a forma como foi ensinado para encarar o mundo. A história fez com que me sentisse bem por existir pessoas capazes de agir como a mãe do Obama (e evidentemente como ele também), contando um episódio ocorrido em Jacarta (Indonésia), próximo à casa de uma família a quem foram visitar, quando ele tinha 9 anos.
" Mais tarde, o grupo saiu para um passeio, com Barry [apelido de Obama] correndo à frente. Um bando de crianças indonésias começou a jogar pedras na direção dele, berrando insultos racistas. Barry pareceu não ligar, desviando-se das pedras como se jogasse queimado. De acordo com outra convidada, Elizabeth Bryant, a mãe dele não esboçou reação. Supondo que Ann [a mãe de Obama] poderia não ter entendido as palavras, Elizabeth se ofereceu para intervir.
'Não precisa, ele está bem', disse Ann. 'Está acostumado'.
(...)
Ao mesmo tempo Elizabeth admirou Ann por ensinar o filho a ser destemido. Para se autopreservarem, é assim que as crianças têm de ser criadas na Indonésia. (...)
Os javaneses [Java é uma ilha que compõe a Indonésia] dão enorme ênfase ao autocontrole, a não trair as emoções. O autocontrole é inculcado nas escolas por meio de uma cultura de implicância. (...) Quando se incomoda com a implicância, a criança é ainda mais importunada. Quando a ignora, ela cessa. (...)
É evidente que não chego nem perto de aprovar o "Bulling", mas o autocontrole é muito importante...
| Não é mau. |
30 de dez. de 2012
Futebol, cultura e teu futuro.
A corrupção e o roubo são coisas terríveis, de acordo com o nosso código moral e ético, mas essas coisas pouco se distanciam das "malandragens" que a maior parte da população brasileira comete vez ou outra. Furar a fila, andar pelo acostamento e fazer simulações para obter vantagens não são exatamente a mesma coisa que cometer crimes, mas acredito que deixam a sociedade mais próxima a eles.
O texto a que fiz referência é um pouco longo, mas acho que vale a pena.
http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2012/12/entre-esperteza-e-trapaca-como-o-jeitinho-brasileiro-entra-em-campo.html
Um trecho do texto: "(...) O problema é quando o brasileiro vai para culturas menos simpáticas à simulação. Aí ocorre um choque, como exemplifica o ex-lateral-direito Belletti, que defendeu clubes como Barcelona e Chelsea na Europa.
- Eles ficam muito incomodados quando o jogador brasileiro tenta simular. Não aceitam. Na Europa, o jogador brasileiro é chamado de Mickey Mouse, acho que por ser um rato, por tentar ser mais esperto. Lembro de uma vez, quando eu estava no Chelsea, antes de um jogo, no túnel, me preparando para entrar em campo, em que o Makelele (ex-volante francês) olhou para mim e disse: 'Não tente se atirar no campo, porque aqui não funciona assim'".
É claro que os jogadores são o reflexo da sociedade, assim como os políticos, mas eles contribuem, através do exemplo, mais do que deputados e vereadores para a perpetuação do nosso modelo de sociedade.
23 de nov. de 2012
Veja a educação, Veja.
Li um texto da Veja (que em pouco lembra a Veja dos anos 60, 70 e 80), que você também pode ler no link abaixo:
http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/o-que-pensam-os-professores-brasileiros
Claro que o texto provocou-me, então escrevi uma mensagem eletrônica para a revista, que vocês podem ler abaixo. Para essa postagem, especialmente, gostaria que vocês enviassem comentários.
O texto “O
que pensam os professores brasileiros” foi escrito por alguém que não conhece a
realidade das escolas públicas brasileiras, ou é cretino, dissimulado e mal
intencionado.
Sou professor e
CONCORDO com boa parte do texto, então qual a razão da veemência no 1º
parágrafo?
Começo
questionando uma comparação pouco feliz. Sr Ioschpe, poucos médicos produzem
remédios. Isso é função, em geral, dos farmacêuticos, não de economistas ou
arquitetos.
Imagino que o
texto foi escrito levando-se em consideração o que o senhor sabe a respeito do
tema, baseado no senso comum, mas um senso comum que é fruto do “achismo”, não
é nem mesmo baseado em simples observações empíricas (se fosse o segundo caso
deveríamos encontrar outro adjetivo para o texto). Então está desculpado (quem
tem culpa neste caso é a Veja, por deixar que um tema tão importante seja tratado
de forma tão equivocada).
O senhor faz
afirmações com as quais concordo, repito mais uma vez. No entanto a causas que
levam à situação que nos encontramos não são abordadas, o que é apresentado
como resposta é apenas sintoma (questiono-me se as exposições foram feitas por
falta de conhecimento ou algum interesse não revelado).
O ponto mais
relevante é a meu ver, aquilo que muitos chamam de “sistema”. A Veja, como
crítica feroz dos governos do PT deveria se aprofundar mais nessa questão (acho
que não fariam isso pois esse processo existe antes dos governos do PT, que
infelizmente também não se preocupa realmente com a educação).
Peço desculpas por
me alongar, mas não é possível compreender tudo de forma resumida.
Hoje o resultado
final do processo de ensino / aprendizagem não depende dos professores pois há o
CICLO (em que os alunos avançam independentemente dos conhecimentos adquiridos)
e a aprovação por CONSELHO DE CLASSE, que servem para maquiar e manipular
alguns dados relativos à aprovação (o que a principio serve como propaganda de
Estado). Esses elementos que deveriam ser usados parcimoniosamente, são o
caminho mais fácil para os alunos, que com o passar do tempo deixaram de se
preocupar com o estudo. Não há mais dedicação, salvo raras exceções. Mas ao
contrário do que o senhor afirmou, não culpo os alunos e suas famílias por
isso. Por que razão estudar, se é possível passar de ano SEM ESTUDAR?
Sempre, em
qualquer situação, haverá bons e maus estudantes. O “problema” está nos
medianos, que por uma questão inerente à humanidade buscarão o caminho mais
confortável. E aqui concordo mais uma vez com o senhor, os professores, em
geral também se deixam levar por este caminho. Por que exigir o que se deve dos
alunos, trabalhar dobrado, ter fama de mau (e muitas vezes sofrer represálias),
se no fim do ano o “conselho de classe” dirá que todo o esforço foi inútil. E
não pense o senhor que o conselho de classe está ligado apenas ao ambiente da
escola. (Esse tema mereceria um maior aprofundamento e algumas considerações,
mas sigamos em frente).
Essa questão traz
um problema ainda maior. Os alunos que passam sem aprender, seguem com
defasagem e, pior, provocam a necessidade de retomada de conteúdos básicos, o
que acaba atrasando o desenvolvimento das matérias e, consequentemente
prejudicando todos os alunos (mesmo os bons).
Em outra passagem,
o senhor afirma que “apenas” 10% dos professores foram agredidos
no último ano. Se apenas 10% dos economistas fossem agredidos anualmente,
quanto tempo o senhor, estatisticamente falando, demoraria a ser agredido? E
depois da agressão, mesmo que se passassem 5 ou 10 anos, o senhor teria a mesma
tranquilidade de antes? Eu honestamente achava que esse índice fosse menor. Assustou-me
que o senhor comemorasse os “apenas” 10% de professores agredidos anualmente!
Quanto à intenção e satisfação e mesmo à formação, concordo
novamente com o senhor. Mas isso está relacionado diretamente à origem dos
professores, suas expectativas e rendas anteriores ao ingresso no magistério. Por
que estes dados não foram tratados ou mencionados?
Uma coisa bastante óbvia é que o salário é essencial para o
aumento da qualidade da educação. Não em função dos professores que já recebem
salário, mas da necessidade de aumentar a concorrência, o que levaria à seleção
de melhores profissionais. Repito: um bom salário interfere muito
pouco na atividade de qualquer profissional, mas provoca um aumento na disputa
pelas vagas existentes e, assim, a possibilidade de que melhores profissionais
sejam contratados. Será que é tão difícil pensar nisso sozinho? O
senhor, caso precisasse contrataria um pedreiro que cobra R$ 10,00 por dia ou
outro que cobra R$ 120,00? (Gostaria de ler uma resposta para essa questão – se
for possível, mande-me por e-mail, pois não compro e não leio Veja).
Com relação às faltas, muitas delas são em razão de problemas
médicos (incluído stress, depressão, síndrome de burnout, entre outros), mas um
dado importante a ser levado em conta é que há muitas aulas não dadas pela
completa inexistência de professores estejam interessados em ministrar aulas em
colégios de periferia (não é difícil encontrar colégios em que não há professores
de algumas disciplinas por 3 ou 4 meses – e aqui podemos entrar novamente nas
questão do conselho de classe, como
reprovar um aluno que não aprendeu nada porque não tinha professor? Mas qual
será o desempenho dele nos anos seguintes?). Pergunto, por que essas questões
não foram levantadas?
Por fim, o senhor afirmou que a maior parte dos professores trabalha
“apenas” 30 ou 40 horas (por outro lado posso dizer que 77% trabalham 40 ou
mais horas – será que a forma como os dados foram tratados foi intencional?),
mas esquece-se de que além do trabalho na escola há ainda a necessidade de
preparação de aula e, principalmente, correção de atividades e avaliações, que também
devemos considerar com parte do “sistema”, já que há um aumento progressivo em
relação a isso, com um mínimo de avaliações bimestrais, recuperações paralelas
e, em alguns casos, “recuperação da recuperação”. Em algumas ocasiões há mais
aulas destinadas a avaliações do que ao desenvolvimento dos conteúdos.
Saudações cordiais.
Prof. Yuri Iwankiw.
9 de nov. de 2012
Educação - O papel da escola.
Não há nada de novo neste texto!
Até os anos 70, (se não foi assim, aqueles que nasceram antes podem me desmentir), a escola tinha uma função clara: formar intelectualmente os indivíduos para a vida. A partir dos anos 80, mais especialmente nos 90, a escola passou a assumir uma função mais elementar, a de oferecer (ou tentar oferecer) uma educação que antes era adquirida em casa, a chamada "educação de berço". Também passou a atuar como uma instituição de assistência social, e passou a ter o dever de resolver/evitar frustrações que a escola mais "tradicional" provocaria.
Claro que não podemos esquecer que a escola serve como uma ótima fonte de propaganda para políticos em campanha e/ou de programas de governo (isso claro, ligado aos números "construídos" e não à real evolução técnica, intelectual e cultural que os alunos atingiram de fato.
Sobre os números é bom registrar que o ciclo (que impede a reprovação nos anos iniciais) e o conselho de classe (que força a aprovação nos anos finais da educação básica), garantem de fato a maior permanência de alunos, que se estivessem no sistema educacional em períodos anteriores a 1990, provavelmente teriam abandonado a escola há muito. De um lado, para o conjunto da sociedade isso é bom (ao menos acredito), pois um número maior de pessoas mantém contato com a educação formal por mais tempo e, por isso, tem mais estímulos e algum acréscimo. Mas pensando no aspecto individual esse sistema é desastroso pois limita muito o trabalho dos professores que não conseguem avançar os conteúdos e debates, pois torna obrigatório que conteúdos básicos que já deveriam ser dominados sejam repetidos constante e indefinidamente, sem que haja tempo e condições para que eles sejam aprofundados.
E no fim das contas a escola faz o que pode, que é suficiente para os desejos de alguns, mas inadequados para a construção de uma nação consciente e livre.
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