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5 de mar. de 2017

Apostas e seguros.

O post anterior é uma crítica à uma "propagandinha" realizada no texto "Entenda a fascinante relação entre apostas e a origem da bilionária indústria dos seguros"  da BBC.
Critica à parte, é um texto muito bacana para pensarmos um pouco mais a respeito de apostas/seguros/produção.
Nele, o autor, Tim Harford, explica a origem dos seguros e mostra como um seguro é, na verdade, uma aposta. Uma aposta que vai contra o desejo do segurado. O agricultor, por exemplo, quer que sua produção seja excepcional, mas corre o risco de que acontece algum imprevisto e ele, então, ficaria num prejuízo que inviabilizaria a continuidade da produção. A solução é, então, apostar no imprevisto, para que se ele ocorrer, o trabalho posterior possa ocorrer. Se não ocorre o imprevisto, por outro lado, a seguradora ganha e pode continuar a existir.
E como toda banca (de jogos), as seguradoras querem ganhar, e ganhar muito. Por isso o melhor que poderia acontecer é que os governos administrassem os seguros (aposentadoria, saúde, agricultura, etc.).
No fim das contas os seguros funcionam como uma faca de dois gumes. Se não há seguro, há incerteza e a economia tende a andar mais devagar. Mas se o negócio de seguros foi exagerado, como no que acabou provocando a crise imobiliária americana de 2008 (em que o valor de todos os seguros era maior do que o valor real da economia), mais cedo ou mais tarde a economia real não conseguira sustentar o castelo de areia erguido pelos derivativos (quando, por exemplo há venda de seguro ou promessa de pagamento de juros em razão de um seguro anterior ou financiamento anterior) e os prejuízos acabam sendo partilhados por toda a sociedade, mesmo aqueles que não fizeram apostas.

Pós-verdade na BBC?


Eu sei que a maior parte dos veículos de comunicação são de direita. Quando muito, são de centro. E é muito comum que esses veículos ataquem, "a torto e a direito", a esquerda. Eu já vi, alguns desses ataques gratuitos em sites que eu leio (e recomendo), como no caso da BBC. Entendo muitas críticas, mesmo sabendo que num bom texto jornalístico, deveria haver um contraponto. Mas dá para deixar passar.
O que me surpreendeu hoje, no entanto, foi um elogio descabido ao capitalismo, quando a efetivação de uma ação é claramente coletivista e não capitalista...
Nas montanhas do que hoje é a Suíça e a Alemanha, uma outra forma de seguros surgiu de uma espécie de capitalismo comunitário. Camponeses organizaram sociedades de ajúdua mútua, no início do século 17, para arcar com custos de tratamentos médicos ou de problemas com safras e animais.
Se o Lloyd´s considerava o risco algo que se analizava e comercializava, as sociedades de seguro mútuo alpinas viam o risco como algo a ser compartilhado.
Uma visão mais romântica que décadas mais tarde mudou radicalmente: em cidades como Zurique e Munique foram fundadas algumas das maiores seguradoras do mundo.
Mas as maiores e mais ricas sociedades de ajuda mútua que hoje conhecemos têm um nome bem genérico: governos.
http://www.bbc.com/portuguese/geral-39167017

Nem digo que eu não tenha meu próprio viés de confirmação, mas isso foi desinformação (porque no mínimo, faltaram informações que corroborassem a posição do jornalista/economista), ignorância (porque há desconhecimento de definições básicas) ou mau caratismo puro e simples.
Se por um lado, o exemplo dado não é, necessariamente "anti-capitalista" também não é definidor de capitalismo, que é reconhecido por um sistema que privilegia ações individuais. Além disso, um dos conceitos básicos de socialismo está vinculado à oposição ao individualismo (que volto a dizer, não é uma marca exigida no capitalismo, mas valorizada). Ora, se uma ação é comunitária, ela é anti individualista, ou seja, poderia ser "uma espécie de socialismo", sem a necessidade de uma complementação contraditória!
Para que fique claro: é possível um regime capitalista contar com sindicatos, cooperativas e associações? Sim. Mas estas instituições foram combatidas no início do capitalismo e são vistas, mais comumente como instituições socialistas.
O curioso é que o texto (claramente de centro) desagrada também os defensores liberais do capitalismo, pois indica que o estado é uma sociedade constituída no seio do capitalismo, o que também não faz muito sentido, pois o "proto-estados"* são anteriores a qualquer "proto-capitalismo".



5 de jan. de 2017

A imprensa parcial... ah...

Vi esta postagem "tautismo fonoaudiologico da globo quer legitimar capitalismo de desastre" do Cine gnose. E replico um trecho, dito por uma importante preparadora de vozes (Glorinha Butenmüller) que trabalhou para a Globo por muito tempo.
“O apresentador não pode representar as palavras. Tem de ser parcial e exprimir as ideias da empresa em que trabalha. Esse profissional tem de sentir a palavra na sua forma, mas a essência empregada vem da casa. Por exemplo, a palavra cadeira é dita da mesma forma por todo mundo, mas se ela é confortável ou desconfortável, é a empresa que vai dizer. Em qualquer emissora, os apresentadores são escravos, têm que parecer imparciais e, ao mesmo tempo, ser parciais, de acordo com a vontade da empresa”.
 A citação original pode ser encontrada aqui, numa entrevista concedida à revista Veja.

Depois disso, creio, não é preciso dizer muito. Só continuo lamentando pelos que creem cegamente em qualquer veículo de comunicação...



10 de out. de 2016

Criolo entrevistado por Lázaro Ramos


"O que nos salvou, nas ruas, foi a nossa completa ignorância e falta de habilidade em se adequar ao que tá posto!"

Também recomendo prestar atenção em 20:43!


22 de set. de 2016

Henry Kissinger e a opinião pública.

Frase extraída da revista "Seleções do Reader's Digest", de abril de 1974:

"A opinião pública não é algo abstrato, que nossos diplomatas devam descobrir e a ela se ajustar. Nosso deve é não apenas descobri-la, como também moldá-la". 

Charge satirizando a "experiencia" de Kissinger em resolver questões
envolvendo as relações entre o governo dos EUA e outros países.


Henry Kissenger foi um diplomata estado-unidense muito influente a partir da década de 50, tendo tido participação proeminente em várias ações, fomentadas pelo governo dos EUA, que provocaram guerras e mortes ao redor do globo e, mesmo assim recebeu o prêmio Nobel da Paz!!!
A frase destacada demonstra como a "opinião pública" é tratada. O que interesse não é a verdade e o equilíbrio. O que interessa é conquistar o apoio da população para a causa daqueles que realmente detém o poder.

7 de jun. de 2016

Juízes e Gazeta do Povo.

Eu tenho um profundo desgosto em relação à "grande" imprensa! Mas o mundo deve estar perto do fim, mesmo... Declaro meu apoio à Gazeta do Povo e aos repórteres que estão tenho uma vida de cão, em função das ações judiciais a que são obrigados a responder em função de um matéria em que os rendimentos dos juízes foram publicizados...
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/em-media-cada-promotor-e-procurador-do-parana-recebeu-r-101-mil-em-janeiro-48502nc1cbowpu7bkto5lopbb

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2016/06/juizes-e-promotores-entram-com-mais-de-30-acoes-contra-jornalistas-no-parana-5876841.html

https://www.facebook.com/francisco.desouza.315/posts/10154221566627445

4 de jun. de 2016

O poder e a economia - Frase do dia.

Retiro uma do site GGN uma frase do professor José Carlos de Assis:

Professor José Carlos de Assis

"O neoliberalismo, como é também o caso das “ortodoxias” econômicas em geral, não está na esfera do conhecimento, mas na esfera do poder. A doutrina não é imposta a nós porque é mais “correta”, mas torna-se compulsoriamente “correta” pela relação de poder determinada pela grande mídia, totalmente dominada pelo capitalismo financeiro com suas práticas de agiotagem."

12 de mai. de 2016

Revista libertários Nº 1 (parte 1)


Já há muito tempo estou devendo, pra mim mesmo, uma postagem com recortes e comentários a respeito da revista Libertários (de 2002).

Pra começar, copio algumas passagens do texto "A anarquia: um ideal de sociedade", de Luc Spirlet, a respeito da importância dos ideais.
"Infelizmente, ninguém explica para que serve um ideal. Para que, com efeito, visto que não se o alcançará nunca ou raramente? Os que pensam isso na realidade, estão diante da principal qualidade de um ideal. Quanto mais inacessível, mais ele é interessante para a sobrevivência de um grupo e mais chance ele tem de corresponder a uma unidade de objetivo
... [O ideal é] uma tensão entre a realidade e o que deveria ser. É graças a essa tensão que encontramos heróis, pessoas fora do comum. (...) Na confusão do mundo atual elas olham para o ideal e servem-se dele como ponto de referência. O homem que perde seus sonhos é um  homem morto. (...)"

O texto seguinte, escrito por Xavier (sem outra identificação, a não ser a origem do texto - Bruxelas). "O Anarquismo: Uma ideologia ou uma metodologia?", ataca o que se entende por ideologia (sistema de ideias e valores usado como ferramenta de luta política e não como o objetivo retratado no parágrafo anterior), dizendo que, "a ideologia é simplesmente 'a forma fria e desapegada da justificação'", contrapondo-a ao anarquismo que "não pode ser definido como uma doutrina social que supõe apresentar a solução a todos os problemas da sociedade, o que o afasta de uma definição ideológica".
O trecho seguinte até pode ser usado para explicar o que aconteceu com o governo do PT aqui no Brasil (escrevo no mesmo dia em que a Dilma foi afastada da presidência, pelo senado).
"Ideologias diferentes, e até mesmo opostas, conseguem amiúde fazer aliança num combate político particular pelo controle do poder (exemplo evidente: as eleições), em contrapartida, divergências metodológicas são de natureza inconciliáveis (...)".
O aspecto principal do anarquismo, a meu ver, é apresentado nesse texto. Os movimentos anarquistas, até onde sei, recusam-se em aceitar meios que não sejam o próprio fim (a finalidade, o ideal), ou seja, a metodologia para se alcançar o anarquismo precisa ser o anarquismo, já que "meios em contradição com o fim conduzem inevitavelmente a um resultado oposto aos objetivos perseguidos".


4 de jan. de 2016

Brasil = Corrupção?

"O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente"
Montesquieu

Corrupção existe em todos os países. Mas a ideia que se tem é que o Brasil é um país muito corrupto. Alguns desavisados chegam a dizer, inclusive que o Brasil está, nos últimos anos, mais corrupto do que jamais esteve... Mas...

Um livro interessante (e de fácil leitura) sobre o tema é "Corrupção", de Marco Morel, que aborda vários casos de corruptos durante toda a história do Brasil, iniciando pelo primeiro governador geral, o português Tomé de Souza, que fez "arranjos" para que as coisas funcionassem por aqui...

Curiosamente, o pai do autor do livro é citado na música Alvorada Voraz do RPM. Foi o repórter Mário Morel aquele que noticiou a extorsão policial que sofriam os comerciantes do Rio de Janeiro.
Na versão original (de 1985) a estrofe é:
"O caso Morel
O crime da mala
Coroa-Brastel
O escândalo das jóias
E o contrabando
E um bando de gente
Importante envolvida..."

Os casos de mal feitos são tão abundantes que há uma versão (do início dos anos 2000) em que a estrofe ficou:
"O caso Sudan,
Maluf, Lalau,
Barbalho Sarney,
Ninguém paga o Jornal,
é a propaganda, pois nesse pais,
é o dinheiro quem manda"

Aliás, os personagens citados na paródia, também são citados no livro...


 Pra terminar, mais uma "frase do dia", que contradiz, em certo sentido, a frase de Montesquieu
:
Frei Betto

"As pessoas, quando chegam ao poder não se transformam, elas se revelam"

26 de nov. de 2015

Punk Rock anarquista!!!

Música boa. Mensagem anarquista.
Acho curioso como nunca tinha ouvido falar na banda FLICTS.
O sítio da banda: http://www.flicts.net/


Infelizmente não consegui colar o álbum "singelos confrontos":
https://www.youtube.com/watch?v=RwEp1ILJ1e4

24 de nov. de 2015

Karmann-Ghia ou política, editora Alaúde?


Li o livro "Gurgel", de Anderson de Assis Nunes, da coleção Clássicos do Brasil, publicado pela editora Alaúde. Gostei. É um pouco ufanista, mas é bem legal para conhecer a história de uma (a?) das mais importantes marcas de automóveis brasileiras... Nem pretendia fazer postagem sobre esses livrinhos...
Então comecei a ler o "Karmann-Ghia", de Paulo Cesar Sandler. E pra minha surpresa, o livro é mau escrito e tenta se aventurar em política. Repetindo sandices que apenas os mais ignorantes seriam capazes de verbalizar.
Na página 28, escreve desnecessariamente: "Luiz Segre precisava de novos sócios capitalistas, (...)". Quer dizer então que se o dinheiro viesse de um anarquista ou socialista, o dono da Ghia seria impedido de continuar seus negócios? Mas esse trecho não é assustador!
Assustador é o que está na página 9: "Em 1932, [Ferdinand] Porsche assumiu o projeto de um Volksauto e ordenou a elaboração de um carro pequeno, feito sob os mesmo princípios dos grandes, à diretoria técnica. O engenheiro acreditava que o novo governo seria uma entidade mantenedora melhor que o sistema capitalista e esperava que ele financiasse um conversível (...)". No parágrafo seguinte: "Inicialmente o governo nacional-socialista recusou-se a pagar pelo projeto do conversível, alegando que isso não cabia a uma empresa pública, cuja função era fabricar carros populares (...)"
É evidente que o autor não afirmou peremptoriamente que o nazismo era socialista, apesar de induzir o leitor incauto a essa conclusão. Vamos aos pontos...

Imagem copiada de http://skeptics.stackexchange.com
Réplica do Volksauto, de Ferdinand Porsche, para a Zündapp

Segundo Philip Raby, autor de "O grande pequeno livro da Porsche", da editora Escrituras, o projeto do Volksauto pertencia a uma empresa privada (capitalista), chamada Zündapp (até mesmo porque em 1932, os nazistas não tinham conseguido tomar o poder - o que veio a acontecer em 1933). Ainda mais: o que Hitler fez foi facilitar as coisa para as empresas capitalistas, pois deixou de taxar motocicletas e automóveis e, diferente do que afirma Sandler, Raby diz "Além disso, o governo estava disposto a patrocinar a construção de automóveis de Grand Prix para ajudar a promover a superioridade alemã. Ferdinand Porsche conseguiu um contrato de 500.000 marcos para desenvolver estes automóveis de corrida em conjunto com a Auto Union." (p. 10) É bom lembrar que Porsche já tinha uma empresa e a Auto Union também era uma empresa capitalista.

Modelo em escala do Auto Union P-Wagon, financiado pelo governo nazista
Imagem copiada de http://www.grandprixmodels.co.uk

O trecho mais evidente do enviesamento intelectual está na sugestão de que o nazismo é antagônico ao capitalismo, o que é um disparate, já que as empresas privadas continuaram a ser privadas, recebendo incentivos governamentais. O nazismo era um sistema totalitário e, como tal ditava os caminhos da economia (numa realidade de miséria e degradação, decorrente do liberalismo), mas, se isso for justificativa para anunciar um governo anti capitalista (que mantém o capital???), o governo de Franklin D. Roosevelt, nos Estados Unidos, também precisa ser taxado de anti capitalista, aliás, como todos os governos que se seguiram...
Para constranger ainda mais os portadores de 3 neurônios, Sandler usa o nome do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, associados aos termos pública e popular ("alegando que isso não cabia a uma empresa pública, cuja função era fabricar carros populares"), querendo fazer crer que, simplesmente porque o partido nazista tinha como parte de seu nome o termo Socialista, lhe confere a postura de socialista...
Isso quer dizer então que todo mundo que tem como nome João é homem, certo? Mesmo que seja uma Maria João! Ou que o PL (partido liberal, hoje PR) tenha sido de fato liberal, mesmo no seu mais glorioso momento, quando elegeu o vice-presidente na chapa de Lula? Você assume então que por contar com o companheiro e vice-presidente José de Alencar, Lula foi o mais liberal de todos os presidentes????
Não terminei com o livro ainda, mas se achar mais sandices, atualizo...




21 de nov. de 2015

Vinioliveiracharges

Eu não uso o Facebook! Não uso e não me interesso!
Mas, sem dúvida, perco muita coisa boa. Ainda bem que dá pra ver sem "logar"...
Vi uma página super bacana. Não que você precise concordar ou gostar de todas as charges, mas dê uma olhada:
https://www.facebook.com/vinioliveiracharges/

Como eu não uso o facebook, não vou mandar mensagem avisando a minha colagem. Se alguém que tem conta puder fazer isso por mim, agradeço... E claro, se o(s) responsável(is) pela página quiser(em), apagarei essa postagem...







8 de nov. de 2015

Que imprensa é essa?

Vou postar por aqui, só pra que eu não esqueça - e saiba onde achar, quando quiser fazer alguma referência...

Extraído do blog do Paulo Henrique Amorin: (em 08/11/2015)



Legal é que a "verdade" tem pouco espaço visual, enquanto a "falsidade" ganha grande destaque.

É possível contar um monte de mentiras, dizendo só a verdade!

Mais uma postagem em referência à fantástica propaganda da folha...
Eu imagino que a foto abaixo é do jornal do dia 07/11/2015 (não consegui ver a versão impressa no site da Estado de São Paulo  mas pode ser do dia anterior porque as notícias, na internet, são do dia 06 - em relação ao FHC, porque a do Lula já é batida...)
Links:
http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/pf-aponta-que-instituto-fhc-recebeu-r-975-mil-da-odebrecht/ (06/11/2015)

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/10/r-4-milhoes-pelo-lobby-os-contratos-milionarios-de-lula-com-odebrecht.html (17/10/2015)

Não se trata de defender a postura do Lula. Mas de observar como a imprensa (ou qualquer pessoa) pode, montando o texto de maneira dirigida, imputar culpabilidade ou inocência.

Imagem retirada do blog do Luiz Nassif


As empreiteiras sempre agirão do mesmo modo que agiram até agora, independentemente de que seja o presidente. As coisas só mudarão no dia em que a cultura do povo mudar. Sem gente que ande pelo acostamento, fure fila, engane a (o) caixa do mercado, etc.

8 de set. de 2015

Ciro Gomes boca santa!

Há poucos políticos profissionais que tem o meu respeito!
E, claro, sempre é um risco declarar isso, pois podemos nos decepcionar. Mas, vá lá... Ciro Gomes é um deles.

Vi uma entrevista que ele deu ao Paulo Henrique Amorim ainda em 2012.
Leia (e veja o que ele disse):
A partir de 32:50 "(...) eu gostaria que ela [a presidente Dilma] estivesse em crise pra ver o nível de apoio que eu tenho (sic). Mas como não tá, acho que tá na hora da gente pensar um pouco. E veja bem, se o país resolveu retomar a indústria naval ...
([interpelação de Paulo Henrique Amorim] 'E se houver uma crise, o senhor fica do lado dela?')
Fico! Porque essa crise eu acho que vai vir. Porque o que ela tá fazendo, né de tirar*, de mostrar que não tem compromisso com o erro, se eu bem conheço a minha gente aí (o sindicato aí dos políticos e tal), isso tá acumulando no congresso nacional e nos partidos, uma força de vingança, um ódio gigantesco, então é um "debochezinho"aqui, por enquanto, mas enquanto ela tá, o governo começa com força popular e tal é uma incógnita. Mas na virada da esquina que pode ser esse ano, se se agrava a crise na Europa, se a eleição americana dá de lado e vai que o Obama perde e entra um republicano e o mundo entra numa tensão mais grave, e não sei quê e tal e vai qual é a repercussão disso no Brasil? Se o Brasil não cresce mais de 2% e tal. Acho que muitas unhas que hoje estão escondidas vão se mostrar."

Em todo caso é bom dizer que, mesmo com o discurso acima, ele criticou a falta de planejamento dos governos Lula e Dilma.

*Eu acredito que ele tenha feito referência ao fato de a Dilma ter "passado o rodo" no início do primeiro mandato, afastando diversos ministros acusados de "mau comportamento". Veja links abaixo do vídeo.



"Ivan de Carvalho: Dilma afasta seis ministro em nove meses e Meirelles pode ser o próximo a pedir o boné"
http://bahiaempauta.com.br/?p=47728

http://www.portalternurafm.com.br/noticias/9305/dilma-afasta-pedro-novais-do-turismo
http://blogs.band.com.br/marcondesbrito/2011/10/15/faxina-de-dilma-rousseff-pode-pegar-o-ministro-do-esporte/
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dilma-manda-demitir-representantes-do-ministerio-dos-transportes-envolvidos-em-esquema-de-propina/


25 de ago. de 2015

Eu sou esquizofrênico*??? Miriam repete Dilma.

Em entrevista para o Estadão (publicada em 24/08/15), a presidentE Dilma disse:
"Não dava pra saber ainda em agosto (do ano passado). Porque não tinha indício de uma coisa dessa envergadura."
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-diz-que-corte-de-ministerios-vai-atingir-1-mil-cargos-de-confianca,1749823

Já em setembro de 2014, ela abordou o tema da crise internacional (que evidentemente tem reflexos no Brasil:
“A gente tem de ver como que evolui a crise [...] Os Estados Unidos evoluindo bem, eu acho que o Brasil pode entrar numa outra fase, que precise de menos estímulos. Pode ficar entregue à dinâmica natural da economia e pode, perfeitamente, passar por uma retomada”
http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/09/dilma-diz-que-mudanca-na-economia-brasileira-depende-dos-eua.html
O vídeo do qual a frase acima foi transcrita é o segundo em 4:00. Essa transcrição foi copiada do G1, mas eu repito, sem as reticências:
"A gente tem de ver como como é que evolui a crise. Se ela evoluir para uma situação um pouco melhor, como está parecendo que nos Estados Unidos (...)"
O curioso da transcrição é que a parte quem que fica evidente a consciência sobre uma crise interna foi cortada. Creio eu que porque foi julgado pouco importante, quando a matéria foi ao ar, em setembro de 2014.

Daqui podemos perceber DUAS coisas. A- já havia consciência sobre uma crise (ao menos em Setembro de 2014), mas havia esperança de recuperação e; B - Não havia expectativa de que a crise fosse tão grave. Concorda?



Agora vamos aos comentários de Miriam Leitão no Bom dia Brasil de 25/08/2015:
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/index.html (não sei como lincar o vídeo, mas acredito que dá para achar com facilidade).

Em 0:12: "Não é possível que ela não tenha percebido [a tempo, a crise], porque todo mundo percebeu. Os jornais estão cheios de matérias (...)"

Isso demonstra que a comentarista não sabe do que fala, ou fala, simplesmente para movimentar o ar.l

Em 0:19: "Em todas as entrevistas que ela deu como candidata a presidente, ela foi perguntada insistentemente sobre a crise e sempre negou (...) disse que os problemas daqui eram derivados da crise internacional".

Uai, eu devo ser esquizofrênico. Já que eu entendi que a Miriam afirmou que a Dilma negou que houvesse crise, mas falou em problema derivados da crise. Hein, tipo a crise provoca um problema mas isso não é crise, é isso, Miriam????

Em 0:35: "Exatamente naquele momento estava numa boa fase, tava recuperando a economia americana (...)"
Porra, eu tô muito maluco. Eu acho que a Miriam está apontando EXATAMENTE o que disse a Dilma em Setembro de 2014, como se não houvesse, a Dilma, consciência disso. Será que eu bebi demais antes de ver o Bom dia Brasil???? (Note que a entrevista de 2014 foi para o mesmo telejornal).

Em 0:46: "[No período eleitoral, a economia (ou Europa)] tava num bom momento, não é como agora (...)"
Que vontade de escrever palavrões... O discurso da Miriam é condenando a presidente, mas condena fazendo as mesmas afirmações. - Ô moço, para esse troço, que eu quero descer...

Em 0:51: "É impressionante que ela, como economista, não tenha percebido"
Percebido o quê? Deixado de perceber o quê??? O que a Dilma falou é diferente do que a Miriam falou???? Quem é esquizofrênico??? Eu acho que só posso ser eu!!!!!

Em 2:32: "Agora sim a gente tá com um problema grande [em relação aos efeitos da crise mundial], naquele momento, não."
Ué, como pode criticar a postura de alguém, usando os argumentos que servem para defender esse alguém????

Tenho certeza que o que me motivou a escrever este texto é a esquizofrenia...

*A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que dificulta na distinção entre as experiências reais e imaginárias, interfere no pensamento lógico, nas respostas emocionais normais e comportamento esperado em situações sociais.
Fonte: http://www.minhavida.com.br/saude/temas/esquizofrenia

24 de ago. de 2015

Ditadura da maioria ou democracia? - Fahrenheit 451


O professor Faber, personagem do livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, diz para Montag:
"Mas lembre-se de que o capitão está alinhado com os inimigos mais poderosos da verdade e da liberdade, com o rebanho impassível da maioria. Meu deus, a terrível tirania da maioria".

Imediatamente lembrei das ovelhas descritas no livro "Revolução dos Bichos", de George Orwell, que só faziam balir palavras de ordem, de acordo com o que lhes diziam os porcos que estavam no poder.

Lembrei também de Nélson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar."

Pôster que faz referência ao livro "Revolução dos Bichos"


Por fim, penso na voz uníssona que paira nas ruas nos dias de hoje. Por vezes escuto balidos. Por vezes escuto latidos, como se fossem os latidos dos cães treinados pelos porcos para levá-los ao poder!

A democracia, para existir, precisa garantir a existência e a voz das minorias!

MAS, ATENÇÃO!!!
Isso não quer dizer que as minorias estejam isentas de culpa quando se fala das falhas dos sistemas democráticos. O livro (Fahrenheit 451) aborda isso também, pois foi, em parte, o sectarismo de minorias (e os excessos do que chamamos hoje de "politicamente correto") que levou ao caos intelectual apresentado na história.
Na coda* do livro, o autor, Ray Bradbury destaca (fazendo referência à destruição provocada pelo ódio conjunto de várias minorias):

Ray Bradbury

"Cada minoria (...) acha que tem o direito e o dever de derramar o querosene e acender o pavio."

Tudo, evidentemente é uma questão de contexto...

*Coda é a parte final, que arremata uma música. Em inglês também designa as cenas pós créditos que aparecem depois do filme. Eu diria que é o "chorinho" que ganhamos após termos bebido o copo de garapa.